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A Aventura prossegue, diferente, mas prossegue em pedro_almeida
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As coisas mais belas do 3º calhau a contar do Sol [17 Nov 2003|10:47am]
[ mood | contemplative ]

it is coming


As coisas mais belas do terceiro calhau a contar do sol


Visto as minhas calças pretas, a minha camisola de lâ preta e saio do meu quarto pintado de azul escuro, de onde emana uma música que não enganará os ouvidos mais atentos, pela sua violência e exaltação dos nossos sentimentos mais tristes e mais obscuros.
Saio da minha casa, um dia abandonada pelo meu progenitor, e que muitas vezes me deprime e me leva a pensar que raio faço eu aqui, num sítio que não combina com a minha energia interior e que desperta os meus sentimentos mais rebeldes e mais agressivos.
Lembro-me vagamente de algo, talvez de somenos importância, mas algo que tenho de fazer. Busco na minha cabeça essa lembrança, já muito apagada na minha mente extraviada, e descubro que afinal ainda sou um estudante do ensino secundário e que talvez ainda tenha alguma responsabilidade a pesar sobre os meus ombros. Não acreca de mim, claro, mas acerca de outras pessoas que não têm culpa da depressão nervosa que atravesso e, que, por isso, merecem que eu me dedique para que eles não percam por minha causa e fiquem como eu.
Passo por sitios que nunca vi, ou talvez já tenha visto mas que é como se fosse a primeira vez. Subo no ascensor. Olho-me ao espelho e verifico que já não olhava para mim hà muito tempo. Estou disforme.
Tenho olheiras em vez de olhos, cabeleira em vez de cabelo, banha em vez de barriga.
Vagamente cumprimento alguém, mas depressa peço para ir ao urinol. Urinar? Não! Vou ver a proporção das banhas! Engordei 15 quilos, um nada, ou talvez tudo aquilo que nunca tinha tinha engordado até agora.
Digo palavras que me parecem ocas e vagas. Dou opiniões que não são sequer pertinentes e que demonstram apenas a vontade que tenho de aqui estar. Argumento contra mim mesmo, dou voltas ao que digo e contradigo-me vezes sem conta.
Saio desculpando-me inverosimilmente e desço...desço uma por uma as escadas que me separam da luz...ou da insanidade...
Ando, sem saber onde vou dar, abano grades que me prendem, mas reparo que estou do lado de fora...talvez eu esteja livre sem o querer estar, ou talvez não passe de um louco. Não um louco qualquer, mas um louco que sofre, e que está magoado, por tudo e por todos...
Sento-me numa pedra e choro, choro baba e ranho, grito e solto tudo o que tenho de dor em mim, tentando em vão encontrar-me e curar-me desta demência que me assola.
Até que alguem que não vejo, embora conheça, alguém que não sinto, mas que faz parte de mim, alguém que é uma personagem tipo de toda uma sociedade que de momento é contrária a mim, mas à qual pertenço sem me lembrar. A personagem mostra-me a futilidade da minha dor, o quão ridicula é, e o quão desnecessária é. Tento contrapor, explicar o que me vai na alma, e dizer que não é tão simples assim, mas................................................naõ! Não ! Nãaaaaaaaaaaaaaaaoooo!
As lágrimas brotam do fundo do meu ser, ao descobrir que eu já fui essa personagem tipo, e que já me julguei superior a tudo que agora me atormenta, e, acima de tudo, que já fui feliz. Não precisava de tudo o que agora digo que me faz falta, e que não estou completo se não o tiver. Tudo o que me faz ser este retalho de mim mesmo não passa de ilusão. Estou errado, estou mal.
É preciso ser melhor. Ser maior do que todas estas reacções quimicas que me impedem de ser eu mesmo, tal como sempre fui, tal como sempre quis ser.
Agradeço à personagem tipo, o mais que posso. Mostro-lhe o brilho interior, que estava quase extinto, mas que depressa se voltará a acender. Só por mim. Só eu o posso fazer. Tenho de voltar a subir ao céu e sair do lamaçal em que me encontro...


Tempo

Visto as minhas calças brancas, visto a minha camisola branca e saio do meu quarto, suavemente pintado em tons celeste, de onde emana música...música clássica, tocada por um intérprete sublime que vagueia pelas teclas como quem se deixa fluir na imensidão do oceano, e que desperta em mim a calmaria e a vontade de ser como sou. De ter certezas quanto ao futuro que se apresenta à minha frente e do qual não sei nada.
Saio da minha casa, lar de tudo o que gosto, e onde me rodeio de harmonias êxtasiantes, levando-me a ter vontade de estar sempre ali. Contudo, é imperativo que eu saia, pois há coisas que preciso fazer, sítios onde tenho de ir, pessoas que quero ver...
Ao passar pelas cintilantes àguas do rio, observo novamente aquilo em que me tornei. Agora sim. Agora já tenho cabelo, olhos e barriga. Agora já sorrio e já oiço o que me dizem. Já me lembro de tudo o que fiz e tudo o que passei. Tudo o que sou agora, é o que outrora fui e o que nunca tinha sido, ao mesmo tempo.
Falta-me, contudo, qualquer coisa. Falta-me ter uma voz poderosa como o vento e um espírito azul como o céu, que me permita imiscuir-me na natureza que me rodeia e tornar-me parte deste mundo que se encontra ao meu redor.
Por isso, caminho. Num dia que parece o que não é, e que se me apresenta como uma imagem daquilo que pode ser o resto da minha existência. Parece um dia de férias de verão, como quando era apenas uma criança e nada sabia sobre a vida.
Percorro a mesma rua que antes me parecia disfusa e horrenda, mas agora é limpida e ampla, nova e antiga, e penso, penso ver a mesma rapariga que anos antes ali estava, com ar de tonta apaixonada bebendo as palavras do seu futuro amante e futuro marido. Penso ver as mesmas caras, as caras que sem ver, vi, na cegueira que me atacava.
Finalmente, passo pelo mesmo prédio, que há anos estava em construção, e que como eu, é agora completo. Nesse mesmo prédio, em que um homem qualquer, no qual talvez ninguém depositasse algum valor, cantava a plenos pulmões uma canção de verão dos velhos 60’s americanos, e que completando-se com o sol, o mar, o céu e a natureza em geral, me fizeram compreender que estas são as coisas pelas quais devemos lutar, são estas as coisas que devemos conservar e que por tudo o que elas têm de bom e abrigam em si, devemos gritar ao mundo que estas são as coisas mais belas do terceiro calhau a contar do Sol!

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Há tanto tempo... os anos passam e este texto perdura. Quando me sentir velho, há-de me rejuvenescer.

Tenho saudades...

Pedro

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